terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mágoa


Tem a ver com o peito, mas o que dói é o cotovelo.

É cientificamente comprovado, somos 70% água. Exceto você, “o cara”. Aposto que o número é bem menor.

Nos meus devaneios concluí que nem tem água por aí. Água tem a ver com umidade; umidade rima com humildade e nesse caso, seu percentual deve beirar 0%.

Não é nariz empinado ou mero ego inflado. Tsc tsc! Seu caso é arrogância crônica, dessas que os médicos jogam a toalha e decretam morte iminente.

Meu bem, é uma doença querer-te bem.

Somos 70% água. Exceto eu, que sou toda mágoa.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Confissões Matinais

Para ler ao som de Suspicious Minds.




Acordei atrasada outra vez. Pulei da cama arrancando a roupa e corri para o banho. Não havia tempo para o café, mas eu sabia que seria atormentada por horas de mau humor se não bebesse um gole do meu elixir.

Coloquei Elvis para tocar enquanto penteava o cabelo e aguardava a água ferver. (Espero que minha mãe não leia isso. Ela odiaria saber que escovo o cabelo no meio da cozinha.)

Elvis cantava, a água fervia e eu fazia um rabo de cavalo quando me peguei pensando em você. Sei lá porque caralho de razão, já que a música não tinha nada a ver com a gente.

Cheguei a procurar um chip sob a pele. O que foi que você fez comigo para passear assim pela minha cabeça?

A gente tem tudo a ver e é justamente por isso que eu não quero te ver nunca mais. Quietinho, Elvis! Deus me livre da sua voz me fazendo pensar - de novo - nesse cara.

Eu conversava com o Elvis, a água borbulhava, a escova repousava e o tempo continuava passando. Esqueci do café e do relógio enquanto desenhava sua imagem mentalmente e procurava me convencer dos seus defeitos. Um trabalhão, diga-se de passagem!

Enquanto a maioria das minhas amigas sempre quis um príncipe encantado, meu sonho de consumo era a casa da Barbie. Tira seu cavalinho branco da chuva, benzinho! Não é porque lembrei de você enquanto o filho da puta do Elvis cantava que vou me render aos seus encantos.

We're caught in a trap, meu caro.



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Breve Receituário


“Não é amor se não te deixa confuso de vez em quando.”




Amor. Sentimento, maçã, flor, gesto, mãe, sexo. Amor é tanta coisa. Vida, apelido, pretexto, mágoa, dor, saudade. Amor é absurdo.


Poesia, livro, tema, alma, doação. Amor é complicado. Grande, confuso, fraterno, desejo. Amor é amplidão.

É substantivo ou é verbo? Próprio ou comum? Eterno ou fugaz?


Até quando seremos tão piegas, enfiando o amor goela abaixo como um comprimido?

Transformá-lo em relacionamento é isso, é fazê-lo remédio. E o amor que era tanta coisa, vira mera reciprocidade. Vai, engole!


A gente o receita desejando que seja rápido e acaba fazendo com que o outro engasgue, tussa e até cuspa.
Calma, cara! Amor é tudo, exceto imposição.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

(A)Mar




Vai tocar Chico e vocês jantarão à luz de velas. Quando se der conta, estarão trocando sms romântico numa segunda-feira à tarde, durante o expediente.
Ele escreverá “ancioso” e você ignorará o erro de grafia, afinal, o abraço dele é melhor que a gramática.
Antes que possam prever, apresentarão amigos e talvez formem uma turma única. Talvez não.
Você ouvirá Fagner, Marron 5, Florence, Damien Rice, Zeca Baleiro e É O Tchan pensando nele. Ele acessará o RedTube pensando em... Outra, mas homem é assim mesmo. (É?)
Ele terá ciúme da sua minissaia, do seu melhor amigo, do Twitter e do seu ex. Você terá ciúme até da sombra dele, mas tentará disfarçar cantando kuduro mentalmente.
Vocês brigarão algumas vezes por bobagens que não valem um parágrafo. A reconciliação será tórrida e valerá cada cara emburrada.
Acostume-se. Nunca será um mar de rosas. Mar é feito d’água salgada, minha filha.
(E desde quando uma flor é mais bonita que a vista da praia?)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

The End



Não sei gostar com calma. Aliás, mal sei o que é calma. Isso realmente existe?
Quer calma, pede um copo d'água, um chá de camomila, um comprimido. Eu sou o contrário.
Não consigo aguardar o miojo ficar pronto, que dirá esperar que as coisas aconteçam. Eu não. Sou do tipo que não faz tipo. Corro atrás, pego pelo braço, puxo, mordo. Canso, mas também faço cansar.
Não que me orgulhe disso. Ah! Como dá trabalho!
Às vezes fico exausta apenas por ser eu. Porque ser eu é uma tarefa árdua, cansativa, sem folga e com pouca remuneração.
Não sei gostar com calma. Não me peça calma, meu bem.
Agora que sabes como a banda toca, se toca. Cai fora!


Para ler ao som de No Light, No Light.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jornada

Chamaste minha literatura de vagabunda
e isso doeu em cada um dos meus duzentos e seis ossos.


Estou no meio do caminho e as pernas pedem descanso. Os pés doem, sujos de terra, exaustos.
Caminhei tanto depois que nos conhecemos. Mal vejo a menina torta que eu era naquele dia quente de fevereiro.
Era mais gostoso quando você andava comigo. Mesmo à frente, você me estimulava a dar passadas mais largas, aumentando o ritmo para que chegássemos mais cedo.
De repente pisquei os olhos e cadê você?
Estou no meio do caminho e daqui nem dá pra ver o meu destino. Parecia mais simples quando éramos dois rumo ao desconhecido.
Andei tanto e já não há nenhum estímulo. Continuo porque estou no meio do caminho e não dá para parar aqui, nessa maldita estrada de terra onde não passa ninguém.
Será que você se escondeu para me observar ou cansou da minha lentidão e foi na frente? Eu nunca te deixaria para trás, amor. Vem me buscar?
A cada cem passos eu paro e olho ao redor. Não tem cabimento voltar, mas dói tanto seguir em frente. Dói tanto. Doem as pernas, os pés, o âmago, o peito. Doeria meu coração se eu ficasse à vontade para escrever como os velhos poetas.
A cada quilômetro vencido eu penso em você. Ao menos não o vi indo embora. É provável que tentasse alcançá-lo e sabemos que eu jamais conseguiria.
Lembra quando começamos essa jornada? Eu era apenas uma menina mal acostumada e você corria para que eu o alcançasse. Só alcançava porque você deixava.
Sem você a estrada parece mais esburacada, mais tortuosa, mais difícil. Será que a gente se encontra lá na frente?


Para ler ao som de Damien Rice - Delicate.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Bilhete #510





sábado, 21 de julho de 2012

Primeira



A primeira vez que nos vimos uma harpa tocou. Não foram sinos, como sentenciam os escritores românticos. Foram harpas!
Uma estrela cadente cortou o céu, embora fosse dia. Em dez segundos eu disse para mim mesma: Eu o amo. Esse é o cara que vai mastigar a minha alma. Estou fodida. Eu o amo!
Uma menina de 15 anos gritava dentro do meu peito, correndo entre as artérias com uma rede de caçar borboletas. As borboletas tinham pernas e também corriam, e eu sentia que aqui dentro era um quadro do Dali ou filme do Tim Burton porque agora havia você.
A menina, as borboletas, meu sangue... Tudo corria na sua direção, embora eu estivesse parada.
Botões de rosa brotavam das minhas mãos e eu as colocava para trás numa tentativa desesperada de não deixar os espinhos à mostra.
Tudo isso num piscar de olhos, na primeira vez que nos vimos.
O som das pessoas em volta ficou baixinho e eu só ouvia a harpa.
Meu coração não batia freneticamente como era de se esperar. Não. Ele parou. Ficou paradinho enquanto menina e borboletas buscavam desenfreadamente por você.
Aí você se aproximou, beijou minha bochecha e fomos tomar um café. E eu nunca te contei que nos dez primeiros segundos que te vi, eu já era mais sua do que jamais fui minha.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A História de Jú e Rô


Suponhamos que Romeu e Julieta não tenham morrido. Digamos que as famílias deram o braço a torcer, ganhando um membro ao invés de perder um filho. O que viria depois, meu caro Shakespeare?




Romeu traiu Julieta com uma talzinha qualquer. Descoberto, passou a arrastar-se como um capacho em busca de perdão.
Acontece que Julieta não é Amélia, mas é uma tremenda mulher de verdade.
Com um chega pra lá, desbancou o Montecchio. Descolou um moreno e vestindo jeans, saiu de férias. Foi viver o amor sem dramas.
Não adianta mandar e-mail, muito menos recadinho no Facebook, seu Romeu boboca. Sua garota foi conhecer praias paradisíacas, sem wi-fi e 3G. O último sms foi para Isolda: “Ricardo tem um primo. Pare de perder tempo com caras como o Tristão.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Jazigo


Ilustração: Nicoletta Ceccoli

Sou um livro de romance miseravelmente mal feito. Tenho marcas nos seios, nas coxas, nos lábios. O corpo todo marcado por letras desconexas. Cheia das suas marcas, farta delas.
Esse tempo todo, um ano e meio, dois 12 de junho, festas em família, arrumação do apartamento, batida do carro, viagens... Duas décadas enfiadas em dezoito meses. Foi tudo uma farsa?
A carne viva, as palavras expostas. Chamaste minha literatura de vagabunda e isso doeu em cada um dos meus duzentos e seis ossos.
Em que ponto entregamos os pontos?
O apartamento desabou, o carro quebrou, o gato fugiu, o leite azedou, nós morremos. Morri primeiro. Cada vez que a gente se olhava, eu me via morta na menina dos seus olhos.
Vaguei como um fantasma, agarrada às roupas recém saídas da secadora; presa ao pé da mesa onde você costumava jantar; dançando na sala, desesperada por atenção. Até que numa noite qualquer, deixei de ser encosto.
Foi aí que você morreu. Morreu aqui, olha sua cova no castanho dos meus olhos.
Quem diria que terminaríamos assim, mortos. Experiências niilistas, egoísmo e fotografias em decomposição.
Entre lágrimas, jurei nunca mais amar ninguém. Nós dois sabemos que a promessa será quebrada quando aparecer o próximo. E ele marcará cada canto do meu corpo, até me fartar. Viveremos décadas em meses, viajaremos, discutiremos política e Kant, faremos planos e dançaremos valsas em festas de casamento.
Sou um livro de romance cujo escritor vive em bloqueio criativo e repete as mesmas cenas, capítulo pós capítulo. Vê?
Agora que você não vive em mim, consegue ver? Enxerga as marcas e os ossos quebrados? Entende porque eu tive que matá-lo naquela noite?
O amor é uma bagunça. O amor é uma merda. O amor é para sempre. O amor não é tudo. O amor rodou até cair tonto, meu bem. Tombamos.


Para ler ao som de Shake It Out.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Coleção


Há quem colecione pedras, figurinhas e moedas.
Eu coleciono dramas.


Ilustração: Nicoletta Ceccoli

Era craque na taxidermia de sentimentos. Quando o amor morria, empalhava e usava como enfeite. Já tinha cinco ou seis adornando a sala de estar.

Não lembrava com exatidão como começara a estranha coleção. Simplesmente cansou de abrir covas que estragavam a grama do jardim.

Muitos estranhavam, era desconfortável encarar aqueles amores de olhos esbugalhados decorando o ambiente. Pareciam vivos, observando o dono brincar com o amor atual.

A poeira e o desgaste denunciavam a idade de um dos enfeites. Com certeza era o mais velho, pendurado há tantos anos que a parede já tinha sua marca. Qual seria a causa do óbito?

Observando um a um dos amores que pendiam das paredes, dava certa pena daqueles sentimentos podados prematuramente. Os mais recentes quase respiravam, tamanha a perfeição do trabalho executado.

Alheio ao horror causado por sua arte, o pobre rapaz sentia-se realizado com as visitas boquiabertas. Com o tempo, passou a escolher relações pensando no fim. Quais seriam mais fáceis de empalhar?

Em poucos meses a coleção dobrara e ao final de dois anos, faltavam paredes para tantos amores.

Quando o assunto é o final de uma relação, há quem chore e fique de luto. E há quem nunca mais consiga se apegar a alguém.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Mundo Vai Acabar


“O mundo vai acabar
e ela cansou de dançar.”



Segundo a profecia Maia, o mundo acabará no dia 21 de Dezembro. A pergunta é: Para você, quantas vezes o mundo acabou?
Ainda que um copo d’água com açúcar ou um bom porre o tenha feito perceber que era pura frescura, aposto que pelo menos uma vez na vida você já teve essa sensação, a terrível sensação de fim do mundo.
A perda do emprego, do amor ou do cartão do banco; a morte de alguém importante, um acidente ou qualquer baque doloroso o suficiente para tirá-lo do eixo. Quem nunca?
A vida é um constante abrir e fechar de ciclos e exagerando um pouquinho, dá para dizer que ao longo da estrada a gente vê o mundo acabar (e recomeçar) algumas vezes.
A gente morre e renasce a cada queda – eis a (des)graça de existir.
Esqueça aquela história de cultivar o jardim para contar com as borboletas. O segredo, o grande segredo, é aprender a ressurgir cada vez que seu mundo acabar.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Nhoque e a Discórdia



“Ah! Se mata! Você nunca comeu nhoque!”
Ouvi essa frase na sexta-feira passada, quando saía do shopping Santa Cruz, em São Paulo. Uma jovem senhora, no alto de seus 40 ou 45 anos, berrava ao celular, notoriamente descontrolada. Apesar de bobo e até engraçado, só consegui rir do comentário minutos depois, já que no primeiro momento todo mundo que estava em volta só se preocupou em observar a briguenta ao celular. Com quem ela estaria falando?
O mistério do nhoque me ocupou por algum tempo. A frase, embora tola, saiu embebida num rancor genuíno, bradada como quem profere uma praga ou insulto.  
A conclusão é tão simples quanto a massa citada na frase. Todos nós já tivemos um dia de tia do nhoque, proferindo alguma bobagem ridícula com o intuito de ofender. Quem nunca?
Aliás, a tal mulher até ganhou uns pontinhos. Pela raiva expressa em seu tom de voz, aquele “você nunca comeu nhoque” queria dizer muitas coisas (impublicáveis).
Quantas vezes a gente não mostra o dedo no trânsito, xinga muito no twitter ou manda o namorado para a puta que o pariu?
A tia do nhoque é só um exemplo do quanto a cabeça quente ferve nossos miolos e torna nossos argumentos um tanto ridículos.
A gente discute sobre música e termina chamando a outra pessoa de gorda; cai numa crise de ciúme e acaba jogando na cara do parceiro que o presente de Dia dos Namorados foi uma droga; rola uma desavença com a mãe por causa da toalha em cima da cama e a gente garante que vai sair de casa. A cabeça quente, meus amigos, converte nossos argumentos em nhoque!

PS: Adotei a frase como meme pessoal. Se um dia eu disser que você nunca comeu nhoque, considere-se insultado.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Dia dos Namorados e Seus Clichês

Não é amor se não for um pouquinho cafona.
Flerte é Oscar Freite, amor é 25 de Março.



O Dia dos Namorados é uma data meramente comercial.
Ele fará uma reserva para o jantar e isso não adiantará nada porque como toda mulher, ela há de se atrasar.
Ela sentirá frio, porque mesmo com a baixa temperatura dos últimos dias, não vai abrir mão de usar aquele vestidinho que ele adora.
Depois de duas ou três horas esperando por uma mesa, notarão que o cardápio não é tão especial quanto o anunciado, embora os preços tenham sido especialmente estipulados para a data.
O jantar será um tanto estranho, já que metre e garçons estarão notoriamente afobados e loucos para que o casal coma logo e dê lugar ao próximo par. Olha só o tamanho da fila na porta do restaurante!
Os pombinhos trocarão presentes que transformarão a expectativa em decepção disfarçada. Ela, que passou as últimas semanas comentando da vitrine da loja tal e do sapato da marca x, ganhará o livro que ele está a fim de ler. Ele, doido por uma camisa da Internazionale, forjará um sorriso ao abrir o pacote com uma cueca Calvin Klein.
Errar a mão no presente acontece, ambos pensarão.
Após pagar uma conta que renderá dor de cabeça no dia seguinte, ele abrirá a porta do carro para ela. Um casal feliz!
Seguirão para o motel onde rolou a primeira vez e encararão outra espera de duas horas. O amor é resistente, um casal que trabalha e encara uma comemoração em plena terça-feira, não. Cochilarão no carro enquanto aguardam uma suíte.
Acordados pelo funcionário do motel que anuncia a disponibilidade do quarto, a dupla sonolenta fará amor ao som da música que tocou na festa da fulana, quando beltrano os apresentou.
Finda a comemoração de praxe e loucos por uma boa noite de sono, se darão conta de que já são quase sete da manhã e que precisam voltar para casa se quiserem chegar no emprego a tempo.
O Dia dos Namorados, meus amigos, não passa de uma data meramente comercial. Eis o que rola na versão mais óbvia possível.
Ah! Vale lembrar que mesmo com tudo isso, o casal que sorri na manhã de quarta merece comemorar o dia 12/6 no ano que vem.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Redes Sociais

Carta mais ou menos aberta aos usuários das Redes Sociais.


Deus disse "Faça-se a internet!". E a internet foi feita. E deus viu que isso era bom. 
O que ele não podia prever é que nós foderíamos tudo. 

Dá-lhe postar foto dos pés, dos pratos, da porra do cachorro e do papagaio (Sou dessas. Curtam!). 

Dá-lhe tecer uma carapuça aqui, dar uma stalkeadinha ali. Ah! Que mal tem? 

Dá-lhe cagar regra na porra toda e mandar indireta para fulano, que será pescada por beltrano e chocará sicrano. 

Deus disse "Faça-se a internet!" e simultaneamente, veio a Sodoma do Facebook e a Gomorra do Twitter. Vai, deus! Destrói e começa tudo de novo, que a gente não entendeu nada e tá T U D O E R R A D O . COM . BR

A gente cria uma conta com todo amor e carinho, escolhe avatar (Valeu, Photoshop!), seleciona amigos e para quê? Para quê, minha gente? Para disputar mãozinhas com dedinhos para cima e/ou seguidores. E porque eu quero seguidores? Para ter mais seguidores. Por quê? Para ter mais seguidores. Por... (Looping eterno.)

Ai, mas Redes Sociais são bacaninhas, eu falo com meus amigos e... Cala a boca! Se fossem amigos de verdade, você usaria a porra da rede para marcar o ponto de encontro do final de semana, não para mandar recadinhos com corações.

E antes que Noé construa uma arca e selecione um perfil de casal por Rede Social, vale ponderar: Noé, poupe-se! Construa apenas uma canoa e leve consigo os poucos com bom senso. (Eu, por exemplo, tô fora!)

Além de tudo que apontei, as Redes Sociais acabaram com o direito da gente opinar. Não gosta da banda x? Ah! Vá se foder, vadia! Não curte o autor y? Palhaço, só fala mal porque não sabe fazer melhor! Ousou mencionar que a atriz z engordou? Se enxerga, garota! Você usa 42!

Não dá mais para expressar opinião sem ofender alguém. Em tempos de Redes Sociais, as pessoas sempre levam para o lado pessoal. Tolinhos!
É isso, cara. Aproveita a profecia Maia, Grega, Tupiniquim ou sei lá o que e dá um jeito nisso!


PS: Wagner Moura, obrigada pela inspiração. Odiei você nos vocais! 
PS 2: Curtam esse texto ou ficarei CHATIADÍSSIMA, com i de ironia. 
PS 3: Quem discordar, é porque é recalcado!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Romeu,



Esqueça o machismo, coloque mais água no feijão, flores nos vasos e fronhas limpas nos travesseiros. 
Abra as janelas e tire a poeira dos porta retratos.

Engula o choro, dê o braço a torcer, vista uma camisa que eu possa arrancar com os dentes.
Talvez eu te traga um presente. Talvez não traga nada.

Finja que daqui para a frente, as coisas serão diferentes.
Prepare um café forte, um poeminha raso e abra os braços. Eu tô voltando.


Julieta.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

(Des)Carta


Julieta,

Quando desistimos daquela parada de fugir, forjar morte e tudo mais, pensei que as coisas seriam fáceis.
Achei que seus pais parariam de frescura por causa do meu sobrenome e que mamãe acabaria te aceitando como nora; que seria divertido dividirmos o teto e a cama e que mesmo nossa pouca idade não seria empecilho.
No começo, tudo foram flores... Você tinha uns quilos a menos e eu, umas horas a mais com os amigos.
O problema é que poucos meses depois, as coisas mudaram... Calcinhas no box do banheiro e ciúme de algum comentário que façam no Facebook, eu até aguento. Mas tem mais Jú, muito mais.
Não posso atrasar vinte minutos que você começa a ligar desesperadamente, sua comida é horrível, sua carência é assustadora e até o sexo tá perdendo a graça.
Ainda te amo, mas preciso de um tempo.

PS: Deixei a roupa suja no cesto. Venho buscar qualquer hora dessas.
Se precisar, mande um e-mail. Vou ficar hospedado na casa de um amigo.

Beijo,
Romeu.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Curta Cotidiano #8


_Como assim? É claro que eu te amo! Você vem logo depois do meu trabalho, amigos e família.

_Pelo menos ganho do cachorro.

_Puts! Esqueci do cachorro!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Não é Amor


A gente tem mania de maldizer o amor sem sequer conhecê-lo.
Flerte que não dá certo, paixão que frustra, fogo de palha. E quem paga o pato? O amor. O pobre do amor, que nem entrou na história.
Façamo-nos um favor: deixemos que o amor apareça quando bem entender. Aproveitemos o flerte, a paixão, o fogo de palha.
O amor é seletivo. A maioria de nós, não.


Se dói, é unha encravada, ego ferido, cólica ou gastrite.
Releve. O amor é leve. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

(es)crê(ver)




As pessoas vivem avisando que histórias devem ser escritas a lápis, mas sempre teimo. Gasto papel, tempo e tinta de caneta. Borro tudo. Amasso a folha, acumulo uma pilha de páginas que não deram certo.

Quando pequena, tive uma daquelas cartilhas Caminho Suave, aulas de caligrafia e uma professora que cobrava letra redondinha, parágrafo e travessão.

Adoro ver a caneta dançando sobre o papel e quando escrevo a mão, sinto as palavras mais minhas.

Meu único defeito é ignorar o lápis. Não senhor! Quero uma esferográfica vermelha para o título e outra azul para o corpo do texto. Se errar, rabisco um traço e começo tudo outra vez. Sem corretivo, que não admito meus escritos sob disfarce.

Foi essa teimosia que rendeu tantas folhas arrancadas, tantas páginas na lixeira.

Já escrevia sobre você, mas não conseguia me fazer entender. Como uma criança que confunde as letras e não entende porque sorriso não é com z.

Acertei a mão quando te encontrei. Escrevi nossa história em letras graúdas e você grifou as palavras chave, ilustrando os trechos principais.

Com você não dá para apagar – muito menos jogar fora. Com você deu certo (e nem precisei passar a limpo).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Curta Cotidiano #7


‎_Você tem bom gosto? 

_Tenho.

_Posso lamber para comprovar?

terça-feira, 20 de março de 2012

Curta Cotidiano #6

Campanha por um mundo com menos literalidade.
Participe!


_Quer comprar meu livro?

_Quanto custa?

_Dez reais... O preço de dois sorvetes.

_Ih! Desculpe, estou de dieta. Além disso, hoje não é um bom dia para tomar sorvete.

segunda-feira, 19 de março de 2012

(Lou)Cura



Às vezes quero te dizer milhares de coisas e ao mesmo tempo, não quero dizer nada. Posso começar contando do azulzinho do céu que vejo da minha janela todas as manhãs, passar pelo menino que cata latinhas na rua, comentar o que comi no café e terminar nas minhas insatisfações que não sei de onde vem e me incomodam feito etiqueta pinicando.

Eu não quero dizer nada porque tenho ímpetos de te matar de vez em quando. Não literalmente, só aqui dentro.

Bebo litros d’água durante o dia e me imagino em noitadas boêmias, enchendo a cara de álcool e te afogando bem aqui no meu peito. Você nadando apressadamente, desesperado, o álcool subindo e meu coração sucumbindo enquanto gargalho com o copo na mão: Eu vou te matar!

Às vezes quero te dizer que odeio o que a sua falta me causa e acabo optando por não dizer nada, porque você vai rir ou desdenhar, sem entender como pode doer tanto uma saudade de apenas dois dias.

Eu não quero dizer nada porque tenho vontade de rasgar todas as suas roupas e depois jogá-las pela janela. Tenho vontade de me atirar também. Não literalmente, só atirar do oitavo andar a bobinha que ri sozinha quando é surpreendida pelas suas lembranças. Ela caindo e eu assistindo de camarote, satisfeita: Cai, tolinha!

Eu quero te dizer um milhão de coisas que você ainda não sabe – ou talvez saiba, mas não sob a minha ótica.

E é tanto querer, é tanto a dizer, é tanto, tanto, tanto... Que eu fico assim, desesperada, com mil pássaros batendo as asas dentro da minha barriga e cem aranhas tecendo teias na minha cabeça.

Eu nunca senti isso antes e essa porra de sentimento descomunal oscila mais que a minha fé na humanidade. Fé cega, lâmina pra lá de afiada.

No fim das contas, não te afogo e tampouco me atiro pela janela.

Senta aqui. Às vezes quero te dizer milhares de coisas...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Palavra



Não, ainda não encontrei a nossa palavra. A palavra capaz de mostrar que não te amo como amou Julieta, Isolda ou qualquer outra pobre coitada à mercê de uma tragédia romântica.

Gosto de você assim, simples. Gosto feito historinha da Disney, leve, pronta para o final feliz e com um enredo que quem quer que veja, saberá onde vai dar. E há de dar!

O que sinto não renderia um drama shakesperiano, mas que se foda! – Shakespeare que me desculpe, ele é um gênio... Mas que se foda mesmo! – para dramatizar, já tenho essa maldita imaginação fértil da qual você ri de vez em quando.

Você não me causa aflição, dor de barriga, tremedeira... Não! Você me faz levantar o pezinho quando nos beijamos, me estimula a querer ser alguém melhor, me faz rir e sentir que o amor é algo que caminha com a gente de mãos dadas, não sobre as nossas costas.

Por essas e por outras, continuo buscando a tal palavra... A nossa palavra. Por enquanto, uso uma frase: Eu amo você!



Para o meninos dos meus olhos, Ivan Mola.

terça-feira, 6 de março de 2012

Prisão


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Curta Cotidiano #5




_O anel que tu me deste era vidro e se quebrou.

_Meu amor, nunca prometi diamantes. 
Dei de coração, foi você quem não cuidou.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Excesso



Existem três tipos de pessoas: Os normais, que sentem, mas não sangram; os excessivos, cujo bater de asas de borboleta no jardim do vizinho lhes açoita e finalmente, os insensíveis.

O primeiro grupo, maior e mais comum, é formado pela maioria dos meus amigos, por meu irmão, meu pai, meu namorado... É constituído por pessoas que se sensibilizam diante de um roteiro dramático, que choram a morte de um ente querido, dizem eu te amo e eventualmente ficam tristes.

O segundo, dos excessivos, é onde me encontro. Não queira fazer parte dele, meu bem. Devo tê-lo herdado de minha mãe e o que posso dizer é que é feito de gente que dói. Doem as dores próprias e as alheias. Doem as injustiças, as notícias de telejornal, o divórcio da madrinha, a doença do avô. Dói além da conta e para extravasar, a gente escreve, pinta, borda, planta bananeira... E mesmo assim, dói. Dói amar e não amar, dói sorrir, dói chorar, dói até quando não está doendo porque a gente se sente meio morto. Mas óh, não se engane. Também não quero dizer que sejamos infelizes. Para os excessivos, a felicidade vem absurda – como vem todo o resto. O problema é que tudo é muito, todo sentir vem mal dosado, em proporções cavalares, e aí... Dói. Só quem é, sabe.

Finalmente, temos o terceiro grupo, os insensíveis. Não raramente os confundimos com os excessivos porque de tanto não sentir, eles aprendem a forjar. Forjam alma, lágrimas, zelo, prazer... Com esses sim, há de se ter cuidado.

Invejo pessoas normais, que sentem na medida. Me benzo contra pessoas insensíveis, que devoram o sentimento alheio. E excessiva, sigo doendo.



Para ler ao som de It Can't Rain All The Time.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Curta Cotidiano #4


Ciúme. Do latim "mil facas lhe perfurarão o peito".



Quando o amor abre os braços, a gente simplesmente abraça. Não há outra possibilidade, não tem para onde correr.
Sentir ciúme é cortar os pulsos. Os nossos? Claro que não, os do amor. O mesmo que nos recebeu de bracinhos abertos. 
No momento estou providenciando curativos. E você?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Make Up




Estava à toa na vida, sem um amor que me chamasse para ver a banda passar. Comecei a pensar em tudo, que devagar e divagando, virou nada.
Os ecos da minha conta bancária, a saudade do meu irmão que mudou pro interior, a morte da bezerra e  aquele perfume, tão gostoso de sentir quando encosto a cabeça no seu ombro enquanto reclamo de uma bobagem qualquer.
Entre uma reflexãozinha rasa e outra, me deparei com ela, a frase.

NÃO VALE UMA PINCELADA DO MEU BLUSH.

Simples, quase banal. Ao mesmo tempo, sintetizando tão bem esses últimos dias que escorreram pelo ralo.
Certos momentos são assim, águas correndo ralo abaixo. Com o rodo em punho, brigo contra o caminho natural das horas e me esforço para que elas fiquem... Em vão.
Assumi meus excessos, admiti os erros e todas as manhãs, tomo um comprimido de resignação e dois de culpa. Ainda não começou a fazer efeito, mas decidi aguardar.
Enquanto isso vou degustando a Vogue, ouvindo Yann Tiersen e corando as bochechas com Givenchy. ‘Não vale uma pincelada do meu blush...’ – e embora ainda doa, logo há de cessar. 


Para Karla e Madá,
com carinho.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Raso


Haja fôlego!



Minha vida requer poesia, mas também requer riso. Vivo na linha que separa o sonho do palpável e acho que me encontrei de verdade quando parei de procurar. 

Poeta não é aquele que vive rimando flor com amor, tampouco quem flerta com o abstrato e vira a cara para o simples.

Poeta é quem sente e de tanto sentir, precisa esvaziar-se enquanto brinca de viver.

Navegue no profundo, mas venha para o raso de vez em quando. É o que dá fôlego para encarar novos mares.




Para ler à toa na vida, ao som de A Banda.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Curta Cotidiano #3



Coração e cérebro vivem sob o mesmo teto
num casamento sem amor.


...E cada vez que o coração celebra 
uma vitória sobre o cérebro
o cotovelo se prepara para doer.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Apego

Meu super poder é sentir demais. Minha criptonita também.


Quando criança eu acumulava papeizinhos e pequenas bobagens. Sentia uma pena enorme de descartá-los. Às vezes me distraía e mamãe fazia uma limpa, jogava tudo fora. Uma tristeza!
Aos poucos me livrei dessa mania - embora guarde algumas cartas e coisinhas especiais.
Hoje em dia, meu problema é acumular sentimentos. Mesmo os mais pisoteados, amassados, desdenhados e ignorados ficam aqui, na minha caixinha interna.

Mãe, me ajuda na faxina?