terça-feira, 12 de junho de 2012

O Dia dos Namorados e Seus Clichês

Não é amor se não for um pouquinho cafona.
Flerte é Oscar Freite, amor é 25 de Março.



O Dia dos Namorados é uma data meramente comercial.
Ele fará uma reserva para o jantar e isso não adiantará nada porque como toda mulher, ela há de se atrasar.
Ela sentirá frio, porque mesmo com a baixa temperatura dos últimos dias, não vai abrir mão de usar aquele vestidinho que ele adora.
Depois de duas ou três horas esperando por uma mesa, notarão que o cardápio não é tão especial quanto o anunciado, embora os preços tenham sido especialmente estipulados para a data.
O jantar será um tanto estranho, já que metre e garçons estarão notoriamente afobados e loucos para que o casal coma logo e dê lugar ao próximo par. Olha só o tamanho da fila na porta do restaurante!
Os pombinhos trocarão presentes que transformarão a expectativa em decepção disfarçada. Ela, que passou as últimas semanas comentando da vitrine da loja tal e do sapato da marca x, ganhará o livro que ele está a fim de ler. Ele, doido por uma camisa da Internazionale, forjará um sorriso ao abrir o pacote com uma cueca Calvin Klein.
Errar a mão no presente acontece, ambos pensarão.
Após pagar uma conta que renderá dor de cabeça no dia seguinte, ele abrirá a porta do carro para ela. Um casal feliz!
Seguirão para o motel onde rolou a primeira vez e encararão outra espera de duas horas. O amor é resistente, um casal que trabalha e encara uma comemoração em plena terça-feira, não. Cochilarão no carro enquanto aguardam uma suíte.
Acordados pelo funcionário do motel que anuncia a disponibilidade do quarto, a dupla sonolenta fará amor ao som da música que tocou na festa da fulana, quando beltrano os apresentou.
Finda a comemoração de praxe e loucos por uma boa noite de sono, se darão conta de que já são quase sete da manhã e que precisam voltar para casa se quiserem chegar no emprego a tempo.
O Dia dos Namorados, meus amigos, não passa de uma data meramente comercial. Eis o que rola na versão mais óbvia possível.
Ah! Vale lembrar que mesmo com tudo isso, o casal que sorri na manhã de quarta merece comemorar o dia 12/6 no ano que vem.

3 comentários:

Tatiana Kielberman disse...

Jamais duvidei de que você seria uma excelente tradutora e transmissora da essência do Dia dos Namorados, Flah!

Linda reflexão e muito verdadeira, como sempre...

Um viva ao amor de todo dia!

Beijos!!

sobrefatalismos disse...

Passei o 12 de junho vendo muitos desses clichês: colega de trabalho recebendo flores no meio do expediente, casais passeando de mãos dadas na livraria. A minha raiva é que foi meu primeiríssimo dia dos namorados e, apesar de casada, passei o dia sozinha, mimimi...

Yohana Sanfer disse...

Boa a ressalva do desfecho...é no final, o que vale. A beleza e significado das minúcias...
bjs

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