segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ela Contra o Tempo

Ele convidou para uma café. Ela aceitou.
Ele quis estender. Ela concordou.
Ele pediu um beijo. Ela deu.
Ele propôs romance. Ela abraçou.
Ele mostrou paixão. Ela vingou.

Tempo. Tempo. Tempo.
                        Tem pó.

Ele impôs condições. Ela acatou.
Ele gritou. Ela calou.
Ele magoou. Ela sarou.
Ele escolheu. Ela consentiu.
Ele mandou. Ela obedeceu.

Tempo. Tempo. Tempo.
                        Tem pó.

Ela espirrou. Espiou. Desesperou.
Ela não era mais ela.
Mas voltou para si... O deixou.
Final feliz. Para ela.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Bendito Fruto


E todos os flertes ficaram verdes
quando o nosso amor amadureceu.


Amadureceu
mas não caiu do galho.
                                      Porque o que é do homem
                                      meu bem,
                                      o bicho não come.

Amadureceu
e endureceu.
                                      Cadê a ternura?
                                      Ter nura. Não ter nura.
                                      Que diabos é essa nura, que tanta falta nos faz?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Almoço

Uma das coisas que aprendi a contragosto é que ego estilhaçado dói mais que coração ferido.
Ser subestimado por alguém que a gente ama é um combo amargo, sem bebida que ajude a engolir o banquete indigesto.
O natural seria virar a mesa, cerrar os dentes e recusar a comida insossa, não é? Não. Porque na caixinha de Mc Lanche Infeliz, vem um brinquedinho chamado amor.
Quando a crítica destrutiva vem de alguém que não representa porra nenhuma nada, é simples: a gente se diz saciado e recusa a refeição; mas quando isso parte de alguém que se admira e quer bem, é como se o prato principal fosse jiló, sem possibilidade de recusa.
'Vai, engole tudinho... Raspa o prato e lambe os dedos, benzinho.'
O amor nem sempre é doce.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mantra

O fim não anuncia chegada... A gente não sabe se ele vai passar para o café da tarde, se vai aparecer no churrasco do fim de semana ou se já esteve aqui no almoço e nós é que não nos demos conta.

A gente nunca sabe.

Por isso, se você tiver essa chance, deite sobre o peito de quem você ama e ouça-o recitar um dos poucos mantras de amor sincero: as batidas do coração.

Ninguém pode prometer ficar para sempre... Além da morte, a vida é assombrada por uma série de fantasmas... Como o fim, esse monstrinho de dedos leves e pés treinados que não anuncia quando é que vai aparecer.

De olhos fechados, ouça o coração de quem você ama... É a única certeza possível. E por ora, é tudo o que você precisa saber.

domingo, 5 de junho de 2011

[C]oração



Preciso rezar mas não tem santo. O altar vazio torna minhas orações vagas. Ecoa um amém que teimo em confundir com amem.
Estou de joelhos pra ninguém, por uma fé que Nossa Senhora alguma há de entender.
Não sei a diferença entre terço e rosário, mas toma uma rosa e vê nos meus olhos: eu creio. Mesmo em crise, eu ainda creio.
Que o amor rogue por nós. Que esse altar vazio me valha.
Amo... Amém.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Juntos




O fuso horário os separa
O preço da ligação internacional
E o mar
Maldito Oceano Atlântico!

O sono os separa
As obrigações dele lá
E as dela cá
Maldito trabalho!

A realidade os separa
As culturas distintas
E as oportunidades
Maldita disparidade!

O presente os separa
As circunstâncias
E os continentes
Maldita distância!

Só a vontade os une
O compromisso aceito
E os planos em comum
Bendito amor!



"Romeu pegaria o primeiro avião com destino a felicidade.
Julieta o receberia dizendo 'Pra mim é você.'
E tocaria aquela música antiga, do Leandro e Leonardo.
Mas essa já é outra história."

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Simples

Sentada no parque, pensando em nada. Tem algo mais difícil que pensar em nada?
Pela manhã fez frio só para que as pessoas saíssem agasalhadas e mais tarde (agora) o sol pudesse rir da cara delas.
O parque não é bonito. A grama pede para ser aparada e as plantas não dão flor. O parquinho é velho, o campo é de terra batida e falta sombra. No entanto, tem crianças rindo e imagino que o som seja igual ao das crianças que passeiam no Central Park.
Depois de um tempo pensando em nada, que às vezes pode ser tudo, fiquei observando um casal de velhos.
Ela de coque, com alguma dificuldade para andar. Ele grisalho, trajando bermuda. Que engraçado pode ser um velhinho de bermuda.
Embora ele não demonstre nenhum cansaço, acompanha o ritmo dela, sempre de mãos dadas.
Depois de uma volta e meia em torno do campo, sentam-se num banco (esse, com sombra). Ela ajeita o ralo cabelo dele, que murmura alguma coisa como fazem os meninos quando pedimos que se alinhem. Mesmo sentados, ficam de mãos dadas, observando o parque sem flores, em silêncio.
Imagino que tenham filhos, netos... Talvez até bisnetos. Imagino que tenham casado na igreja numa época em que isso era importante e que se não o fizeram por amor, acabaram por achá-lo no meio do caminho.
Devem morar perto do parque de campo de terra e quem sabe já o tenham visto florido n'outros tempos.
Não param o moço do sorvete, não comem algodão doce... Apenas olham, de mãos dadas.
Parecem pessoas simples, com muita história para contar.
Devem ter lá suas bodas de ouro em comum.
Ela deve ter tido mais de quatro filhos, que ele provavelmente trabalhou como louco para alimentar.
Imagino que houve uma época em que brigavam demais, as crianças davam trabalho, as finanças não iam bem. Não hoje... Hoje ela caminha com dificuldade, mas eles tem um ao outro e passeiam de mãos dadas. Ele usa bermuda, ela ri e ele comenta que o tênis também não lhe cai bem. Sempre de mãos dadas.
Ou vai ver que se odeiam, mas vão aguentando porque nessa idade, o que se há de fazer?
Prefiro a primeira opção.