quinta-feira, 31 de março de 2011

[S]Agrado

'Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.'
(Nietzsche)

Os deuses não se preocupam com castigos. Cometem pecados sagrados, se sagram pecadores divinos.

Vamos cantar mantras, achar o nirvana, negar o amor monoteísta.
Sejamos deuses.

Ilumine-se. Profano é julgar.

Dispa-se dos dogmas. Vista-se de mim.




Mais devaneios na Confraria dos Trouxas

segunda-feira, 14 de março de 2011

Muito

Se amo? Amo baixinho, conforme pediria Quintana.

Amo com calma. Primeiro os detalhes, o cerne, o que ele é de verdade e que só olhos transbordando verdade podem ver.

Amo repetitivo, sem novidades nesse amar que não cessa.

Amo assim, aqui entre nós: consciência e coração.
E me basta.


Mais arroubos na Confraria dos Trouxas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Maria Sem as Outras

Maria caminhava sem rumo, sapato baixo, chutando pedras.

A alma de Maria vagava sem horizonte, em baixa, chutada de um lado para o outro.

‘ Pior que padecer de egoísmo, é sofrer com o mal da doação excessiva.’

Os pensamentos da menina-mulher eram confusos, passando dos planos aos danos sem se concentrar em nada.

‘Olha, Maria, você é burra! Você é absurdamente burra. E não adianta usar palavras difíceis em textos complexos, porque sua burrice é intrínseca.’

Um nome tão simples, um rosto tão comum, uma cabeça tão complicada.

Maria deveria ser Gertrudes. Não, Gertrudes não, Clarice... Tsc. Maria nunca poderia ser Clarice. Os devaneios de Clarice eram resultado de aflições brilhantes, enquanto os de Maria... Eram foscos.

O vestido de renda e os gestos leves escondiam os bichinhos-come-come que a garota levava no peito.

Sim, logo ali, do lado esquerdo, ela tinha um formigueiro, cupins ou sei lá o que. Traças que lhe mordiscavam sem parar e a tornavam a bailarina de coreografias tristes.

Maria não era Clarice. Maria não era feliz. E pasmem: Maria também não era triste.

Aliás, o que mais lhe afligia nessa caminhada rumo a lugar nenhum, era a falta de um sorriso largo – ou de lágrimas quentes.

Ela nunca sentira o gostinho de ser santa ou puta. Era assim... Mais uma. E isso lhe dilacerava o âmago, já tão judiado.

Judiado? Não, ninguém a machucava. Ninguém além dela mesma. Ninguém além da alma caída.

‘Sou uma predadora.’

Maria não tinha um anjo que lhe trouxesse milagres. Muito menos um diabo a quem culpar pelas falhas.

Maria não era Amélia, não era feminista nem submissa, não era menos ou mais. Maria estava ali, no meio do caminho, chutando pedras.

O meio, as pedras, o nada. Maria sem sobrenome sumiu, engolida por... Maria.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

(Menos de) 140 Caracteres

Amor é livro. Sexo é blog. Rapidinha é twitter.

domingo, 30 de janeiro de 2011

...E será?

Sorri. Ata. Desata.
Emburrece. Larga. Reata.
Interessa. Desvenda. Desdenha.
Ignora. Desperta. Encanta.
Dança. Desdança. Canta e saltita.
Cria. Eterniza. Perece.

Morre.

Fica.

É a vida. (Hoje) Não tão bonita quanto descreveu Gonzaguinha.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Resumo desarrumado

['Desata... Não tem nós. Não tem laço.']


Não te encaro.
                        Olha, eu nem te quero...
Arranco sua camisa com os dentes só pra mastigar vontades. É indevorável numa única mordida.
Invento adjetivos. Sinto sono.
                                                 Mas a gente não dorme junto. A gente acorda.
                                                 A gente entra em desacordo.
Tenho um montão de poesia aqui dentro e você é prosa. Prosa. Prosa. Pró. Prozac.
Me deixa... Eu nem te quero.
Eu quero inteiro e você é meio.
                                                    Justifica-se o fim.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fragmentos




Cacos, estilhaços do passado nos atingindo em câmera lenta.
Cortes, cores, vermelho... Vivo, morto. Morto, vivo. 'Você errou, cai fora da brincadeira!'
Eu jogava com a seriedade de grandes campeonatos, mas no fim das contas era só uma competição de egos.
'Vou contar até três e a gente sai correndo, quem chegar por último paga o pato.' Cheguei antes. Amei antes. Era blefe... Perdi.
Acertaram uma pedra na nossa vidraça e a gente passou a ver tudo duplicado através do vidro trincado. Não havia uma via, agora eram duas... Cada um com a sua, cada um na sua, cada um... Um.
A vingança é um prato que se come frio. Requenta a comida, põe a mesa, eu faço a cama. Come, depois me degusta. Me come e depois me gosta. Cospe e depois... Cadê o antes?
Era vidro e se quebrou. Fosse ouro, venderíamos. Escambo de sentimentos, leilão de sensações. 'Façam suas apostas!'
Quem ri por último ri melhor? Ouço suas gargalhadas ecoando pela casa.
Sem você não rio. Sem você, mar... Água salgada.
Borboletas no meu estômago, minhocas na sua cabeça: jardins incompatíveis.
Quem não tem coração de vidro que atire a primeira pedra. Crash!


Parece desconexo. De fato, nunca fizemos o menor sentido.