terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fragmentos




Cacos, estilhaços do passado nos atingindo em câmera lenta.
Cortes, cores, vermelho... Vivo, morto. Morto, vivo. 'Você errou, cai fora da brincadeira!'
Eu jogava com a seriedade de grandes campeonatos, mas no fim das contas era só uma competição de egos.
'Vou contar até três e a gente sai correndo, quem chegar por último paga o pato.' Cheguei antes. Amei antes. Era blefe... Perdi.
Acertaram uma pedra na nossa vidraça e a gente passou a ver tudo duplicado através do vidro trincado. Não havia uma via, agora eram duas... Cada um com a sua, cada um na sua, cada um... Um.
A vingança é um prato que se come frio. Requenta a comida, põe a mesa, eu faço a cama. Come, depois me degusta. Me come e depois me gosta. Cospe e depois... Cadê o antes?
Era vidro e se quebrou. Fosse ouro, venderíamos. Escambo de sentimentos, leilão de sensações. 'Façam suas apostas!'
Quem ri por último ri melhor? Ouço suas gargalhadas ecoando pela casa.
Sem você não rio. Sem você, mar... Água salgada.
Borboletas no meu estômago, minhocas na sua cabeça: jardins incompatíveis.
Quem não tem coração de vidro que atire a primeira pedra. Crash!


Parece desconexo. De fato, nunca fizemos o menor sentido.

12 comentários:

Fernando Ramos disse...

Senti uma leve citação de Meu do Djavan aí, hein? Ou não?

E o grande problema é que quandro o vidro se quebra, não se vê duplicado, mas em partes infinitas, é azar pra todo lado. Daí é melhor mudar tudo, inclusive a vidraça.

Melhor parte: Requenta a comida, põe a mesa, eu faço a cama. Come, depois me degusta. Me come e depois me gosta. Cospe e depois... Cadê o antes?

Perfeitas metáfora e paralelos, parzinho. És a nova Martha Medeiros! E eu gosto tanto dela! =)

Isabelle disse...

"De fato, nunca fizemos o menor sentido."
E as coisas que não fazem sentido algum permanecem na minha mente teimosa, sempre em busca de um porquê inexistente.

Amo teus textos. =]

Rosângela Monnerat disse...

Mariazinha...
que tola em insistir nesta condição.
És Maria, menina, em toda intenção.
Não seria difícil entendê-la em qualquer situação. A palavra se esgueira e é forte demais.
Não parece competição entretanto. parece tentativa de alcançar o outro com as mãos.
Apenas tentando, tentando...
Não vejo perigo em Mariazinha.
Não existe risco em Maria.
O risco, de início, é apenas um M na palma das mãos.
Bj!
Parabéns!

***MissUniversoPróprio*** disse...

Nossa...delicioso texto. Uma releitura dos tantos encontros e desencontros amorosos, descritos com uma mágica peculiaridade. Quem não se encontrou em ao menos uma das linhas, que atire a primeira pedra.

Gostei, gostei.

=*

Shi disse...

“...o amor que tu me tinhas, era pouco, se acabou ...”

Graças a Deus, ninguém tem coração de aço e alma de aço... bom mesmo é saber que existe muito vidraceiro bom por aí!

Perfeito texto dona Marizinha!


E como eu sempre digo: A vigança é um prato que se come QUENTE... blá, blá, blá.

Shi

Mågø Mër£Îm disse...

Eu nunca fiz apostas no amor, nunca foi um jogo pra mim, e vez por outro eu achava que tudo tinha se quebrado e que não tinha como recuperar. Mas amor é o que eu sinto e vivo hoje, eu passei por determinadas coisas, sofri em certas ocasiões, pra poder ter como valorizar ainda mais o amor real que vivo hoje... sem leilão, linda... sem escambo... rs

Ana SS disse...

Somos seres paradoxos. Simplesmente porque vivemos morrendo.

Seu texto é lindo, pra variar.

O amor brinca de esconde-esconde sério. As vezes, nunca mais aparece.

disse...

Não deveria existir competição no amor.
Simples assim.

Mas quem disse que somos simples?
Somos essa mistura do que já foi e o que virá, temperados [ou destemperados] com a chuva no fim do dia.
Alguns dias é coisa demais...

Parabéns pelo texto, pela imagem e pela citação do fragmentos. Blog que sou apaixonada...

Bela surpresa para uma quarta com previsão de chuva no fim do dia.

Beijo Flá!

LandNick disse...

Brincadeiras relembradas com seriedade, ou coisas sérias relembradas em tom de brincadeira?
Quem nunca chorou um "amor que era pouco e se acabou" não merece se lembrar do primeiro beijo roubado!
Belo texto!

Jacqueline Soares disse...

~'. Muito gostoso o texto e muito boa a forma como tenta relatar as coisas, como se encaixam.

Beeijo

Alexandre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anne Caparelli disse...

Tudo girando numa competição de egos,
nada de mistérios, coisa simples,
sem mais o que dizer.

Texto bom de ler, reler, se ver!

Parabéns Mariazinha!

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