quarta-feira, 28 de setembro de 2011

[Con]Sequência


Coração tá moído? Chora. Liquidifica a dor.

Não cumpri nossa promessa e isso me arranca lágrimas todos os dias.
Não aguento tanto peso.
É fato: vai desabar. 
Eis aqui, em mim, o maior medo que alguém pode sentir na vida:
Perder um grande amor
e ficar com ela... A culpa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Final Feliz


O problema do nosso amor é que deixou de ser ficção e virou mera fricção.




Sai daqui. Com passos largos, correndo. Sai e leva toda essa droga de amor pesado que me sufoca feito mordaça.
Quero que você se foda, que se danem todas as suas declarações carinhosas e que meus olhos nunca mais tenham que te encarar.
Eu te amo... Só não gosto mais de você.*


Ele leu o bilhete várias vezes.
Perplexo, suspirou. No fim das contas, já havia passado da conta.
Ela o poupara de dar um fim ao que já estava acabado em seu coração.
Amassou o papel, apanhou o celular...

_Oi, Lú... Quanto tempo! Topa um cinema?


*Frase de Samara Cerqueira

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Promessa


Ele diz que está preparado para que eu lhe dê as costas, que não acredita no meu amor, que não demonstro sentimento genuíno.
Diz que mais cedo ou mais tarde, vou juntar meus trapos e dar o fora... Que não nasci pra ele, que minhas juras são vãs.
E no dia seguinte... Reclama do meu ciúme, grita e maldiz meu nome, aponta o dedo no meu nariz.
Vira a mesa, revira minhas roupas e ideias, espalha aos quatro cantos que o canso, que essa relação não tem futuro e que nosso presente é um fardo cujo ritmo ficou no passado.
Ele não entende nada de amor.
Vou pra igreja, pro terreiro, pro centro e pra gandaia... Vou por o nome dele na boca do sapo, pisar com o bico do sapato, beijar mil bocas até que a dele seja só mais uma.
Hoje prometi me livrar... Nem que pra isso, tenha que largar mão de mim. 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

[S]now




Não, eu não sei a hora de parar. Ou talvez saiba e apenas não consiga. 
Parar  representa ponto final e sempre fui adepta das reticências.
Não que isso justifique. Embora não pareça, tenho ideia do quanto posso ser chata.
É que tento consertar - para não usar o tal ponto final - e tentando consertar, as coisas viram uma bola de neve. No começo acho que posso empurrá-la, mas em algum momento perco o controle e ela me engole.
Por causa das minhas reticências e da tal bola de neve, peço desculpas.
Eu quero que a bola de neve pare e a gente continue.
Quero um sol espetacular derretendo o gelo entre nós. Quem sabe assim eu possa sair de dentro desse boneco de neve e você me agasalhe com um abraço quentinho.
Sabe, não sei ficar magoada com as pessoas que amo. Quero que elas se desculpem imediatamente porque carregar mágoa por pessoas queridas me fere.
E eu vim aqui desarmada e boba confessar isso... Preciso que você se desculpe para parar de doer.
Já tem tanta coisa aqui dentro, acomodar a mágoa implica mudar os móveis de lugar. Demorei tanto para deixar a sala arrumada. Não quero mudá-los. Tire-a daqui, por favor.
Estou tão acostumada a me culpar que não sei como agir quando a culpa é sua.
Um sol... Preciso urgentemente de um sol que derreta a tal bola de neve.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ela Contra o Tempo

Ele convidou para uma café. Ela aceitou.
Ele quis estender. Ela concordou.
Ele pediu um beijo. Ela deu.
Ele propôs romance. Ela abraçou.
Ele mostrou paixão. Ela vingou.

Tempo. Tempo. Tempo.
                        Tem pó.

Ele impôs condições. Ela acatou.
Ele gritou. Ela calou.
Ele magoou. Ela sarou.
Ele escolheu. Ela consentiu.
Ele mandou. Ela obedeceu.

Tempo. Tempo. Tempo.
                        Tem pó.

Ela espirrou. Espiou. Desesperou.
Ela não era mais ela.
Mas voltou para si... O deixou.
Final feliz. Para ela.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Bendito Fruto


E todos os flertes ficaram verdes
quando o nosso amor amadureceu.


Amadureceu
mas não caiu do galho.
                                      Porque o que é do homem
                                      meu bem,
                                      o bicho não come.

Amadureceu
e endureceu.
                                      Cadê a ternura?
                                      Ter nura. Não ter nura.
                                      Que diabos é essa nura, que tanta falta nos faz?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Almoço

Uma das coisas que aprendi a contragosto é que ego estilhaçado dói mais que coração ferido.
Ser subestimado por alguém que a gente ama é um combo amargo, sem bebida que ajude a engolir o banquete indigesto.
O natural seria virar a mesa, cerrar os dentes e recusar a comida insossa, não é? Não. Porque na caixinha de Mc Lanche Infeliz, vem um brinquedinho chamado amor.
Quando a crítica destrutiva vem de alguém que não representa porra nenhuma nada, é simples: a gente se diz saciado e recusa a refeição; mas quando isso parte de alguém que se admira e quer bem, é como se o prato principal fosse jiló, sem possibilidade de recusa.
'Vai, engole tudinho... Raspa o prato e lambe os dedos, benzinho.'
O amor nem sempre é doce.