domingo, 24 de outubro de 2010

Ainda Não Passou

Ócio. Com você era cama, sem você vira tédio.
Eu sei que devia evitar... Ignorar as lembranças, a saudade, Nando Reis, Coca Cola. Desisti de fugir quando me dei conta: saio daqui e te encontro logo ali.
Ostracismo não combina com seu nome. Nome duplo, sonoro, gostoso de dizer.
Me pego rindo das suas frases piegas. Choro em seguida, quando me dou conta de que é só minha memória pregando uma peça.
Não é drama. Não é tragédia. Não é romance. É um filme inclassificável e por vezes chego a questionar se o roteiro é baseado em fatos reais... Minha intensidade sofre de megalomania, de repente andou mudando algumas cenas.
Dei pra escrever textos insanos, sem começo, meio e fim. Inspirados no nosso faz de conta que não teve final feliz.
Oscilo entre o papel de mocinha e vilã. Gosto de me imaginar gargalhando diante do espelho, sem dar a mínima pro bobóca do príncipe.
Verifico meu e-mail a cada dez minutos. Pra não dar o braço a torcer, me convenço de que talvez haja algum trabalho por terminar.
Nando Reis continua cantando '... que ainda não passou, mas vai passar...' Mas quando, Nando? Quando?


'E não, não há nenhum remédio
Pra curar essa dor
Que ainda não passou
Mas vai passar!'

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Resposta

Não faz sentido, nunca fez. Nossos signos não combinam, nossos gostos não coincidem, brigamos pelo mesmo lado da cama.
Desde o princípio essa estranheza, esse incômodo, essa angústia de doer o peito. Nunca foi perfeito, sempre foi tudo o que eu queria.
Fatos conspirando contra, problemas (de todos os tamanhos, pra todos os gostos), situações inusitadas que se impunham pra nos afastar e sempre acabavam me jogando nos seus braços.
Não era pra dar certo... Nunca foi. Mas minha teimosia me fez insistir.
Deu certo. Nos instantes em que me senti segura, nas risadas espontâneas, nos carinhos e detalhes. E aí... O horóscopo voltou a conspirar contra. O destino começou a se impor. Os gostos voltaram a pesar... Suas decisões impuseram o fim.
Da história? Não, do parágrafo. E só Deus sabe se vou conseguir escrever outro.
Acho a incerteza muito mais triste que o final.
O amor resistiu... Mas cadê a fé? Era ela quem me movia quando eu brigava contra os nós que não nos deixavam virar laço, e velá-la dói.

Dói tanto que já nem sei dos nossos defeitos. Muito menos das qualidades.
Benzinho, eu cresci... Querer nem sempre é poder.


Que ninguém julgue atitudes ou a falta delas sem pesar o sentimento que as permeia.
Amém.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Da [im]perfeição

A história não tem princípio. Começou antes que eu estivesse atenta para captar o início e seus detalhes.
De repente ele estava ali. Me olhou de cima de um altar e me senti ainda menor aqui embaixo.
Desejei que não visse meus pés descalços, que ignorasse minha aura, que não percebesse minhas falhas.
Intimidada, dei um passo para trás.
Ele tem um discurso tão bem escrito que me faz enrubescer. Me lembra o que eu era antes de cair do meu altar.
Ele é atento e captou meus pecados. Fala deles com uma naturalidade que me fere.
Não caibo mais num altar, e olhar pra ele deixa essa verdade ainda mais gritante.

‘Se eu não tivesse tantos defeitos pra você consertar, você ainda ficaria por aqui, curtindo o marasmo comigo?’

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

28


Bem vindo, dia 28. Saiba de antemão que você será um dia raso com pensamentos profundos.
Hoje é aniversário de uma das pessoas que mais amei na vida. Ironicamente, já não nos sabemos uma na vida da outra.
Não, não falo de um [quase] amor que não vingou. Dizem que ‘a gente cura um amor frustrado buscando outro amor’, e crendo ou não nesse clichê, ele é disseminado por aí, repetido cada vez que um coração partido precisa de conforto.
No meu caso, nem com frases de efeito posso contar, já que o âmago dessa história é uma amizade.
Quem está aniversariando é uma amiga (já que ex amiga não existe, na minha concepção). Nos tratávamos por apelidos que já não cabem... Embora não tenham perdido a validade, perderam muito do sentido.
Mil vezes lembranças inteiras do que um presente despedaçado.
Também não posso me lamentar. Rupturas raramente tem um único culpado, embora nosso umbigo sempre teime em varrer a culpa pros lados de lá.
Simplesmente não pude esquecê-la... Não hoje.
Dezembro passado, passei mais de uma semana enfiada numa UTI e nos piores momentos tudo que recordo, além de uma sede descomunal, é de conversar com essa amiga... Tê-la ao lado da cama acarinhando minha testa e tentando me fazer esquecer das dores e tubos.
Por que estou contando isso? Porque ela nunca foi me visitar. Restam duas explicações: um devaneio fortalecido pela medicação ou laços muito fortes.
Como boa sonhadora, escolhi crer na segunda opção.
Pudesse, ligaria pra ela e falaria do quanto me fazem falta nossas conversas. Daria os parabéns cobrando uma comemoração inesquecível e dizendo ‘até amanhã.’ Mas não posso.
O orgulho não me trava, mas as circunstâncias, essas sim.
A gente trata a vida como algo extremamente maleável e vai deixando certas coisas pra depois, e quando se dá conta... O depois já passou.
Nós passamos uma na vida da outra (se é que amizade passa). Fomos nos acostumando a não compartilhar as novidades, a não contar os planos, a esquecer... E o que éramos ficou guardado... Docemente embalado pelo passado.

E é por essas e outras, dia 28, que você é especial.

'A amizade é um amor que nunca morre.'
Mário Quintana

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Curtas Cotidianos

Pequenas porções de [quase] romance.


Vida de casal: 'Amor, diz que me ama?' - 'Por quê?' - 'Preciso ouvir um EU TE AMO.' - 'Liga pra sua mãe.' 

Fugaz: 'Flertaram num bar. Desde então ele pensava nos olhos dela. Na internet, decepção: o nick era uma frase do Paulo Coelho.'

Ele disse 'eu te amo' em inglês. Ela respondeu mecanicamente um 'eu também' em espanhol. Há tempos não falavam a mesma língua.

Adicto - Quando a mulher o obrigou a escolher entre ela e a bebida, não teve dúvidas e abandonou o vício: a relação era uma droga.

Olho por olho - Para magoá-lo, ela escolheu cada palavra: 'Troquei você por outro homem.' Só não esperava a resposta: 'Eu também.'

Estranhos: 'Você é diferente. Nunca conheci uma mulher assim.' - 'Culta e segura?' - 'Não, com esse sotaque. De onde você é mesmo?'


[Mais doses no Twitter]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

[Ins]Piração

'Saudade é um pouco como fome [...]'
Clarice Lispector



Dá desespero ver os dias escorrendo pelo ralo, os minutos escapando pelo ar e tudo que era deixando de ser.

Dá vontade de agarrar uma época pelo pescoço e pedir pra ela ficar mais um pouco.

'Calma, isso é só o tempo passando.' - Contemporiza minha consciência. - 'Nada além disso, por favor vamos manter a calma.'

Dá vontade de ficar com a gente pra sempre, mas a gente escapa de si diariamente.

A gente pisca e já não é o mesmo, sorri e muda de pensamento, chora e muda de opinião. A verdade é que a gente se abandona a todo momento e só um distanciamento interpretativo é capaz de permitir conclusões tão óbvias: ando morta de saudades de mim.



Texto dedicado a todas as mudanças da vida, inclusive as mais imperceptíveis e importantes: aquelas que se passam dentro da gente.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nós sem laço

Fui acumulando palavras aqui dentro e elas acabaram assim, embaralhadas. Falta paciência para desfazer os nós. Juntei tudo e coloquei num cantinho, embaixo do tapete.
Todos os dias minha consciência me dá um puxão de orelhas. 'Menina, quando é que você vai tirar a poeira e varrer o passado pra fora?'.
Não tenho resposta. Abaixo a cabeça, disfarço e saio de fininho.
A gente até pode jantar comida requentada, mas nunca se acostuma com novidades de ontem.
Mas não é sobre o marasmo que quero falar. Hoje não. Esses comentários são só minha imaginação desviando do assunto.
Hoje abri os olhos e a rotina já estava a postos... Banho, cabelo e maquiagem. Trânsito, trabalho e etc. Acordei um pouco mais tarde no mundo virtual. Estava com preguiça pra tweets e tudo mais. Mas foi lá, no mundinho-quase-de-faz-de-conta que me lembrei dele, a agenda virtual registrando seu aniversário.
Pensei em mandar um scrap. Oscilei entre um telefonema ou um recado via twitter. A verdade é que ele não merece nada disso. Optei pelo mais óbvio quando se trata da garota TPM aqui: pensar, pensar e pensar... Nele, em mim, no faz de conta que criei e que no fim, rendeu menos páginas que as histórias da carochinha.
A gente se esbarrou por acaso mas me encantei de caso pensado. E no fim, não passou de um caso mal resolvido.
Chato. No fundo, me interessei pelo cara que fui inventando (imaginação filha da puta). Ele, mais maduro e bem menos criativo, me desvendou em dois tempos e sem me dar tempo, pulou fora.
Opa! Eu e minha falta de foco... Esse não é um texto sobre dor de cotovelo. Tsc tsc tsc.
Esse emaranhado de palavras é pra tentar desatar os nós que ficaram. Já tenho laços demais pra manter o que não convém.
Me dei conta de que pouco sei a respeito desse tal cara, mesmo que em algum momento eu pensasse saber tudo. Que vergonha da minha mania de achar... Vivo achando e no fim, não tenho certeza de nada.
Ãh? Ah! Ok, foco...
Eu espero que ele seja ao menos um pouquinho do que vi. E que as músicas e mensagens que trocamos em algum ponto virem uma verdade pra nós... Mesmo com outros pares.
De nós só ficaram os nós. Mais cedo ou mais tarde, a gente desata.


Esse texto bagunçado que fala tanto sem dizer nada é só um beijo carinhoso.
Feliz Aniversário... pra ele.