terça-feira, 27 de abril de 2010

Breve diálogo de um quase adeus



_Peraí, como assim, eu atrapalho? Desde quando acabaram as cores no meu arco-íris?
_Não vou explicar nada. Nem sobre você, nem sobre mim, nem sobre o branco e preto.
_Tá. Não me importo em falar sobre nós dois... Mas todas aquelas cores que você me prometeu??? (Ela melancólica).
_Acabaram. Desbotou e você nem se deu conta, boba! Primeiro ficou tudo cinza... Depois veio o branco e preto mesmo. (Ele nem aí).
_Mas ainda te vejo brilhando... Tem um vermelhinho ali, no cantinho esquerdo... Acho que tem até um pouco de azul nas suas mãos. (Ela com esperanças).
_Já disse que não quero conversar... Pô! Você faz tudo errado... Sempre querendo estar feliz, mania besta de querer ser feliz! Para de amar desse jeito chato... Para de querer colorir tudo!
_Mas eu não... (Ela disfarçando o choro).
_Chega! Ou a conversa acaba, ou acaba nossa história.

Foi aí que ela calou tudo: o choro contido, a esperança teimosa, o amor insistente e o último lápis de cor que trazia na mão.

domingo, 25 de abril de 2010

Novidade fresquinha de uma Mariazinha-Julieta

Depois de vários e vários tweets sobre Romeu e Julieta, motivada por um domingo entediante tive um espasmo de empolgação e, em dupla com o Pedro, criei o Papo de Romeu e Julieta.

A ideia é falar sobre o que rola antes do 'felizes para sempre' e... Ah, só passando lá pra conferir.

http://www.papoderomeuejulieta.blogspot.com/

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Nós2



Um dia sem notícias suas. Pois é, 24 horas de preocupação, caraminholas, falta de apetite, ausência de sono.

Aí fico sabendo o que minha intuição já dizia: você voltou a passar mal, está no hospital, internado... Só. Nenhuma outra informação pra aplacar meu desconforto, pra amenizar as dores do meu coração. O pobrezinho está sendo esmagado aqui dentro, e mesmo se esforçando pra ganhar espaço e respirar sossegado, é só aperto, aperto, aperto.

Ligar não adianta. Chorar não adianta. Dormir não adianta (até porque, tudo que consigo são cochilos interrompidos de tempos em tempos pela sua lembrança).

Nada grita mais alto que uma ausência não consentida.

Desisto de te afastar do pensamento... Me rendo e vou te procurar. Quem sabe assim, enjôo de pensar em você e consigo uma folga pra organizar as ideias...

Cá estou, lendo seus e-mail's, olhando suas fotos, rindo sozinha das nossas conversas intermináveis.

Eu quase posso ouvir seu sotaque gostoso, que deixa nossos diálogos ritmados. Eu quase chego a gostar dos apelidos bobos que você me deu. Eu quase sinto você aqui... Quase.

Falta você respondendo meus sorrisos com os seus. Falta seu jeitinho gostoso, quase boêmio, me deixando sem graça.

Falta. E a falta ecoa.

Mas esse não é um texto de despedida. Ah, tsc tsc. De jeito nenhum! Ele não vai terminar melancólico, não.

Esse texto é pra te cobrar por essas 24 horas de angústia e nó na garganta. Um nó que me ata os olhos e desata os medos.

Esse texto é pra que você saia logo da sua solidão e venha detonar com a minha... Já te disse mil vezes que você é a intensidade que afoga a minha intensidade, não ouse me desafogar!

Exijo você criticando minha instabilidade. Exijo sua voz me chamando. Exijo você dizendo 'Flavinha, eu gosto'. Exijo que você cumpra todos os sonhos que sonhei, porque é a sua graça que os alimenta.

Não sei ficar assim... sem você. E tenho ímpetos de te dar uns tapas cada vez que imagino sua resposta: 'a gente se acostuma com tudo'.

Eu te quero bem. Anda, fica bem... Pra ouvir minhas broncas e pra me provar que tudo o que sinto não é loucura.

Eu amo você. E odeio essas últimas 24 horas.

 
'Não tem como imaginar a minha vida sem você, o meu dia sem te ver (...)
A sua companhia é melhor que um dia de sol.'

Tchai, Um Dia de Sol

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Domingo particular



Tenho em mim uma agonia insidiosa e malandra. Quando me pega distraída, fica me soprando aos ouvidos frases que incitam pressa. ‘Vai, Flávia. Liga pra ele outra vez’; ‘Anda, pergunta pra chefe se o trabalho ficou bom’; ‘Briga com seus amigos por não terem te procurado no fim de semana’...

Diante dessa agonia libidinosamente nociva, me perco feito criança em labirinto. Eu ligo, cobro, corro, choro, brigo. Tudo antes da segunda página. Acaba que as outras pessoas mal desenharam o primeiro parágrafo e eu já terminei o texto.

Intensidade é pouco. Vou engolindo as entrelinhas, os arremates floreados, as frases lustradas.

Meus amores são rascunhos escritos em papel de fazer origami. Começam dizendo como foi bom conhecê-lo, e terminam na dor de cotovelo de um final mal resolvido.

Pois é... Tudo culpa dessa agonia penosa. Ela tem desejos alvoroçados, e uma pressa enorme de ser feliz...

Fica recitando versinhos e me cobrando amar. Cantarola músicas doces e me pergunta quando é que a felicidade vem.

Eu não sei. Olha aqui, sua agonia filha da puta, eu não sei!

E já cansei de procurar debaixo de cada pedra, em cada fresta, em todos os vãos. Eu não procuro mais!

E aí encaro a agonia, abro bem os olhos e digo com todas as letras: ‘Agora quero paz. A felicidade que me procure quando estiver pronta pra mim!’.

Vá eu querer entender a cabeça alheia (só agora começo a entender a minha, aos trancos e barrancos).

A velha história das borboletas de Quintana é tão real quanto a inconstância que nos cerca, mesmo que ninguém admita.

Não vou prometer não ligar. Não vou jurar que ‘já foi’, nem esnobar, nem fingir que não me importo. Sou muito mais que isso... Sim! Eu me importo, dane-se.

Hoje vou tentar deixar de lado o tsunami de descontentamento que me segue feito quimera...

Decidi que é domingo. Meu domingo particular... As preocupações vão ficar pra depois, feito vendedor batendo na porta em pleno fim de semana pela manhã... A gente se revira na cama, e simplesmente ignora... Hoje é domingo!

Já li todos os livros da estante, a tv não tem nada que valha minha atenção, e por mais que revire a agenda, ninguém merece um telefonema ou convite pra passeio no parque. Tudo bem, isso é típico dos domingos. Dias assim não são especiais nem são tristes. São preguiçosamente vazios.

A gente vai empurrando os problemas com a barriga... Deixa pra amanhã!

Aliás, já chega de divagar... Hoje é domingo. Vou procurar desenho nas nuvens ou dormir no sofá... Amanhã decido se me curo ou enlouqueço.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Motivos para odiar uma Mariazinha


Mariazinhas... Desde pequena as encontro por aí: aliciantes e astutas. Tem a perversa mania de aparecer na hora errada. Falam com leveza e simpatia, são espertas, às vezes bonitas, e sempre odiosas.
Pois é, admito que sou daquelas pessoas passionais e suscetíves. Tudo me tange. Leonina, ciumenta e passional. Uma junção explosiva.
Não gosto de quase nada. Mas tenho a terrível necessidade de me sentir amada por tudo o que desperta meu querer.
Aí elas aparecem: as Mariazinhas. Muitas se chamam Joana, Natália, Juliana ou sei lá mais o quê... Mas todas são Mariazinhas!
Aquele tipo de garota que compete sem anunciar batalha (as piores!). Ligam no celular dele quando a gente tá discutindo relação ou fazendo as pazes, esbarram "por acaso" e começam papos intermináveis e dos quais não faço nem idéia. Mandam recados carinhosos e dúbios. Me enlouquecem e ainda são vítimas.
É provável que eu também já tenha sido uma Mariazinha na vida de alguma Flávia por aí. Mariazinhas são inimigos disfarçados em pele de pêssego e com olhos brilhantes. Mariazinhas tem voz suave, e pelo menos por um instante, balançam o coração do cara que a gente gosta.
Pois é, a culpa é sempre delas! Afinal, "ele" é só uma peça... Nunca faria por mal... O cara de quem se gosta é sempre o príncipe encantado, mesmo que caia do cavalo branco enquanto cavalga, ou que não tenha um reino.
Ele me ama! Mesmo que olhe pra alguma maldita Mariazinha por aí, ou fale com ela do jeito que eu gostaria que falasse comigo. Ele é perfeito e cheio de imperfeições (mas isso é outra história, talvez com título de "Joãozinho").

terça-feira, 9 de março de 2010

Era uma vez II



Ela ainda é incógnita. Mas agora tudo soa mais brando... A garoa cessando, a névoa dissipada.
Acordou com sensação de parágrafo inicial. Página de redação com tema livre. E nunca foi tão bom escrever sobre o que quiser: lembranças da casa da "vó", o prato predileto, as últimas férias...
Empacotou todas as frustrações, disse adeus e jogou fora. Até o ar sopra mais leve, e ela sorri com devotada esperança.
Hoje nada vai despertar sonhos mortos. A chefe pode reclamar e vai ser incentivo. A turma pode discordar e vai ser construção pra boas ideias. Até "ele" pode ser formal ao telefone... Vai ser educação.
Ela não vai subentender nada. O que não for claro pode deixar lá no fundo, naufragado.
Hoje ela coloca o vestido mais rodado e o salto mais alto. O cabelo vai solto e os olhos brilhantes.
Parágrafo inicial. Tão bom não ter regras pra primeira frase!

terça-feira, 2 de março de 2010

Quando a gente não lembra de esquecer...

Atenção: conteúdo descaradamente açucarado. Não diga que não avisei.



Esse lance de ir com calma não é pra mim. Me atropelo sempre que tento impor limites ao meu querer.
Quando a gente conversa, me apaixono. Quero me apaixonar. E dane-se.
Tô aqui pra entregar o motivo...

Sempre estive disposta a encarar começos, meios e fins, perdoar, começar de novo e terminar de novo, tantas fossem as vezes necessárias... Só pra ver se algum dia isso dava em alguma coisa diferente de dar em nada.
[Quase] Tudo que você desejasse eu faria. Embora não tenha feito.
Você não desejou? Ou simplesmente não fiz?
Na mesma hora que espero que você morra e desapareça, quero que você me beije daquele jeito que ninguém mais consegue.
Nunca vou compreender porque você é tudo o que eu quero, sou o que você quer, mas isso acaba complicando as coisas, ao invés de resolver.
Acho que temos medo de encarar que tudo isso não passa de nada. Coisa da imaginação, pra gente não parecer tão banal, ficar menos vazio, mais inteiro por amar alguém, ser correspondido e não dar certo. Assim a gente se sente parte do todo, afinal, o mundo tá cheio dessas histórias.
Nem sei se vale a pena inistir. Só não vale tirar da vida o que ela mais gosta de se gabar: seus mistérios.
Apenas prometa que não vai mais prometer o que não puder cumprir. O resto dou um jeito de levar sozinha...
Finalmente tô enxergando que sou igual a todo mundo. É chato, mas acontece. Acabou a convicção de que fui predestinada à felicidade irrestrita.
Acho que no dia em que nasci, meu anjo disse: ‘Sorte pra você, menina. Que você seja louca por chocolate e sua pele continue linda, que tenha os amigos mais amorosos do mundo, que sua família seja um verdadeiro comercial de margarina... Mas você não terá sorte no amor, pra não ficar convencida’.
E aí encontrei você...