quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pequena biografia não autorizada

Deixa eu brincar de ser feliz. Deixa eu pintar o meu nariz.
(Los Hermanos)


Desembarcou nesse mundo numa noite de lua cheia. De outro jeito não podia ser. Era inverno mas o vento soprava quente, e a mãe quase não sentira dor.
Chegou como todo mundo, entregue à própria sorte e agarrada ao que pudesse tornar a existência menos vã: Deus, santos, amores (verdadeiros ou não).
Aprendeu desde cedo que a vida é escolha, que não existe escolha sem renúncia, que cada renúncia é uma lacuna, e que por tudo isso a única certeza é a ausência.
Descobriu nas palavras seu consolo e seu martírio. Falava demais... De si, de seus medos, da alegria e das frustrações. E quem quer saber? Bastam os enigmas que correm no interior de cada um.
Mas as palavras também eram o abraço confortante das horas difíceis: ler a fazia encontrar outras almas sozinhas. E se todos estão sós, estão unidos pela solidão.
Escrever libertava, e viu que isso era bom.
Levou uns tombos a medida que foi crescendo. Alguns machucaram os joelhos, outros o coração.
Descontente, entendeu que amadurecer é aceitar.
Procurou respostas e terminou multiplicando as perguntas.
Se doou demais sem retorno, e outras vezes recebeu muito sem se doar.
As brigas ganhas se perdiam pelo caminho, as perdidas eram recordações constantes.
Algumas noites passou chorando feito criança sem colo. Algumas, passou brincando e sorrindo. O certo é que na grande maioria, sonhou e rezou pra evitar as perdas, porque a vida... Ah! Ela é tão maior que ganhar ou perder.
Inventou amores procurando O amor. Executou trabalhos medíocres buscando O trabalho. Amargou tristezas pra achar a felicidade perpétua.
E se você espera saber que ela viveu "feliz para sempre", sinto muito. Ela continua padecendo desse mau tão bom que é viver.

7 comentários:

marjoriebier disse...

Mariazinha, aprende: quem espera final feliz cansa. É de pé que a gente padece, correndo atrás desse fado encantado que vem embrulhado de vida!

meu beijo

Josi Guimarães disse...

É incrível! ... Me identifico mto com seus textos! um bj!

[ rod ] ® disse...

O viver cura todas as infelizes oportunidades do dizer adeus! Aprende-se na dor e por ela somos elevados. Bjs moça.

Pedro Victor disse...

E continuará padecendo desse mal por muitos anos...
É...a vida é assim mesmo, uma hora corremos, outra temos que sangrar um pouco...mas vale a pena, tenho certeza plena que vale.

Beijos

Te amo

! Marcelo Cândido ! disse...

É um mal viver!
Um mal em aprender que a vida vale a pena!!!
Ainda vale
...

Nanda disse...

É um mal sem cura. Ainda bem!

beijos Flá!

Virgínia Borges disse...

Flávia, seus textos são excelentes. Como você consegue expressar tão bem em palavras tudo o que sinto? Adorei o seu blog!

Parabéns!

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